(num desses encontros casuais/Gravataí 27 graus)
Nunca vou cansar de dizer que quando você para de fazer agility o que sobra é o cachorro. Penso eu que ninguém percebe isso enquanto está praticando o esporte. Induzidos a competição, viciante, e as descargas hormonais que o esporte e as pequenas realizações proporcionam, ficamos num ciclo que não contempla algo tão óbvio. Abaixo Eu, Coca e o Théo, na praia 2021.

Um dia desses veio até mim um amigo, vou ocultar o nome, perguntar sobre um Podcast que a gente gravava há mais de 15 anos, Eu o Daniel Nakamura e o Marco Magiolo, sobre Rock e Agility. Chamava Rockagility. Queria saber onde estava. Mandei o link e depois ele me disse: “cara como anos depois o agility tem os mesmos problemas com as mesmas pessoas só que mais velhas”.
Sobraram alguns obstáculos aqui em casa, coisa pouca. Um túnel e alguns saltos. Hoje uso os saltos para secar alguma peça de carro que eu tenha pintado, fazer um varal, o pobre Túnel está se estragando no tempo. Gostava da adrenalina das provas, da satisfação de conseguir ensinar o cachorro a transpor um obstáculo, depois dois, três, quatro, cinco… até chegar a pista toda, sem erros. É muito bom. Bem parecido com o que acontece hoje com meus carros. Quando conserto eles e eles continuam consertados.
Então fica só treinando alguém diria. Só treinar é igual a arrumar o carro e não dar uma volta com ele no bairro. Dar uma volta com ele no bairro e não ir mais longe. Ir mais longe e não fazer uma viagem. Entende? Não é da natureza humana se contentar com o básico. A gente quer sempre ir mais longe. Abaixo, na foto chegando no hotel depois de ter perdido um dia arrumando eu mesmo o carro na estrada.

Quando eu disse chega e parei totalmente de treinar, demorou para a minha cabeça virar a chave. Se havia uma viagem para fazer eu pensava antes se não iria cair nas mesmas datas de uma possível prova Nacional, ou me pegava analisando vídeos de treinamentos de condutores gringos. Fui aos poucos parando de seguir as pessoas que postavam assuntos relacionados, treinamentos e hoje praticamente não aparece nada sobre o esporte. Foi um alívio.
Agility Canino não deixou de fazer parte da minha vida, mas já são 7 anos sem sequer treinar nada. Sem competir 8. É muito tempo. Tempo suficiente para o esporte se refazer, se reinventar e deixar para trás qualquer vício que existia há 10 ou 20 anos. Só que não.
Dois mil e vinte seis, aniversário de 20 anos da minha primeira prova oficial, com o Schummy lá no Rio de Janeiro. Parece que foi ontem diz o saudosista. Eu e o Aurélio, pegamos um avião, o Robson foi nos buscar no Aeroporto, fizemos as provas, passamos mais um dia lá, fomos ao pódio, voltamos pra casa e dali pra frente foram muitas e muitas viagens. Mais de 100. Foto abaixo, eu com o Schummy em abril de 2006, Ilha do Governador, Rio de Janeiro – RJ. Pódio 4º lugar.

Vi muita coisa errada nesses mais de 15 anos que passei dentro do esporte. Com diferenças nos erros. Tem a coisa errada, que é errada porque não favorece o todo, porque prejudica alguém, alguns ou alguma coisa. Tem a coisa errada que é errada porque você acha que é, nem sempre você está certo. E tem o errado fora das regras, sejam elas escritas ou não. Os famosos, por vezes, não sempre, casos omissos.
Mesmo assim, um dia desses eu discutia, no melhor sentido da palavra. Se tivesse tal possibilidade, se tivesse tal espaço e se fosse tranquilo, se tivesse o cachorro assim assado… talvez eu voltasse a treinar e por consequência competir. Um dia desses.
