Dissolução 1 Azul

(i push my fingers into my eyes/Gravataí chuva 17 graus)

Mais uma semana na maior cidade do Brasil, onde vivem o mesmo número de pessoas que temos espraiadas por todo Rio Grande do Sul. Percepções mudam quando comparamos a uma cidade normal. Motorista do Uber comentou sobre o trânsito quando meu pai perguntou como estavam os engarrafamentos: “agora tá tranquilo, porque é férias escolares, na cidade de vocês também deve ser assim”. Respondi “cara, nossa cidade tem 250 mil habitantes”. Bairros pequenos de Sampa City tem mais moradores.

Avião da Azul taxiando no Salgado Filho na terça-feira passada.

Dessa vez fomos de avião, como em Março já havíamos feito. Prefiro andar de carro, a estrada me cansa, mas me faz pensar. O avião parece a forma mais cara de ficar constrangido ao lado de pessoas que você não conhece, dividindo um espaço diminuto, por pelo menos uma hora e meia. Acho impensável dividir um carro de aplicativo com quem não tenho afinidade, por querer, seja por 20 minutos. Imagina entrar num charuto de metal com asas que aparecem feitas de isopor, ensopadas em combustível, a 10 mil metros de altura numa velocidade de 900km por hora. Eu sempre acho que vão cair na decolagem ou no pouso. Não tenho medo, se tivesse não voaria. Informação: quase 70% dos acidentes aéreos ocorrem na decolagem, subida, aproximação ou aterrissagem. Apenas creio na matemática.

Talvez o fato de ter que passar por detector de metais, inconscientemente, me deixe mais calmo. Conta muito também a Azul oferecer um copo de suco aguado, um saquinho de baconzitos fajuto e uma embalagem de balas de goma em formato de aviõenzinhos. 750 reais pra comer o que parecem ser pedacinhos de cartolina, 150ml de algo que eu pago 5 reais por litro. As balinhas não tem pra vender, só andando de avião pela Azul pra comer, mas eu nem gosto daquelas balas de goma gelatinosas que não são envoltas em açúcar. Alias, eu não como bala de goma.

E sejamos justos. A empresa dá duas opções de suco, três de refrigerante pra você escolher, além de água. Eu escolho suco porque refrigerante procuro beber muito pouco e água eu levo comigo uma garrafa. Eu que reclamo de tudo.

São tantos rituais, tantos procedimentos, tantas regras. Me cansa. Chega mais de uma hora antes, sai de casa uma hora antes de chegar, faz checkin pra dizer que vai, fila pra despachar a mala, fila pra passar no detector de metais, esvazia a mochila (tablet, relógio, computador, carregador), desarruma tudo, aí espera por mais 40 minutos pra embarcar, fila pra embarcar. Meu carro é abastecer, calibrar os pneus, entrar e rodar, a noite. Um pendrive entupido de músicas, algumas garrafas d’água e tchau radar.

E a comida do Graal fica até barata.