(nesses dias tão estranhos “vejo” a poeira se escondendo pelos cantos/ Gravataí 31 graus)
Foi dia 25 de dezembro que me grudei para desmontar o motor do Renato. Fui longe, parei apenas quando as bengalas da surdina não quiseram sair por bem. Como era Natal não liguei máquina nenhuma para cortar e fazer barulho. Foi no dia seguinte que serrei os canos extremamente enferrujados e liberei o motor. Não era certeza que seria necessário fazer a retífica, não sabia o que havia lá dentro, o funcionamento do motor era muito bom. Quem sabe, vai que, ele tivesse sido retificado há pouco, pensei.

Foi a primeira vez que tirei o motor totalmente sozinho, não foi difícil, tem bastante espaço no cofre do Gol pra isso e você não precisa tirar ele por cima, você levanta o carro e puxa o motor. São quase 10 anos participando de retiradas e colocações de motores, tem muito que já é automático. Consegui tirar até o cabeçote.
O tempo é o melhor remédio, nada foi rápido nesse processo e isso foi ótimo, dando tempo para analisar todas as situações melhores.
Foi só na primeira semana de 2026 que terminamos, abrimos a “melância”, aí com ajuda de São Márcio, vimos mais alguns probleminhas. Certeza de que deveria ir para a retífica. Pedi indicação para um mecânico que faz as manutenções nos nossos carros seminovos, ele tem uma Brasília, de uma retífica que pudesse fazer esse serviço. Nessas horas indicação é a melhor opção. Lá em si foi bem rápido. Fui atendimento com muita atenção pelo Junior. Nâo sei o nome dele, ele pediu pra ser chamado assim. Quem sou eu pra contestar. Agora… tenho a impressão de que conheço ele de algum outro lugar.
Depois de uma três ou quatro idas lá para levar uma que outra peça pra testarem tudo, em uma semana e já estava de volta o bloco. O que o dinheiro não consegue não é? Essa última perna da ação foi a mais complicada. Já não tinha mais grana, na retífica deixamos quase 3 vezes mais do que da última vez, porém continuei tendo que comprar peças.

Os planos vão mudando e algumas peças pra falar a verdade, eu nem encontrei. Não tem. Outras comprei usadas. No final eu ainda estava esperando entregas de itens que no início não trocaria, estavam boas. Foram tantos processos que eu nem sei mais tudo que foi feito. A polia do virabrequim, chegou dois dias antes da montagem do motor. Contrastando com os pistões e camisas novos que estão desde agosto de 2015 conosco, ou ainda mais com os cabeçotes guardados há mais de cinco anos. Isso tudo, peças novas guardadas, usadas sem uso, ou novíssimas, tudo pode dar errado. E ainda vai dar.
Abaixo o bloco montado no porta malas do Toymobile. Motor no ponto e válvulas reguladas. Sem pistola, a moda antiga. Márcio todo amostradinho disse “vou botar o distribuidor e deixar no ponto já”, não mexeu mais. Nas válvulas ele deu mais uma fuçada.

Finalmente dois dias atrás conseguimos voltar com o motor pro carro e liga-lo. 45 dias. Ainda precisamos de mais peças. Customização é complicado. Fazer o normal não tem graça. Eu queria fazer um motor mais forte. Queria um 1700, só pra dizer que tenho. Por motivos econômicos está a cada dia mais difícil ostentar.
Motor do Renato ficou 1600, que vai usar carburação dupla solex 34. É um pouco mais do que as 32 originais e ainda em um trabalho para facilitar a entrada do ar. O comando de válvulas é um W110 que abre mais as válvulas para entrada da mistura, com isso trocamos também as molas das válvulas pra aguentar o tranco. As que estavam nos cabeçotes foram as que quebraram no motor da Eva com o comando W100, imagina as possibilidades com o 110 agora. Poderia ser pior. Vamos precisar no futuro de um Upgrade de varetas. Esse efeito cascata é bem comum com Upgrades. São raros os casos de troca de uma peça que não resulte em outras trocadas também.
Só meu cartão de crédito se recuperar das porradas que levou.
Temos uma bomba de óleo externa da EMPI para girar mais óleo dentro do motor, essa é reaproveitamento da White (Brasília 77) que agora roda com uma bomba normal. Não sei ainda se montaremos no Renato filtro ou radiador de óleo. Quem sabe os dois. Tinha comprado um outro distribuidor para usar Hotspark, no entanto a ignição original dele é Bosch. Preferi deixar assim. Deve ser original, com o sistema aranha e bobina de cartucho.

Nessa reta final surgiu a necessidade de mandar fazer uma polia de virabrequim. Isso mesmo. A que comprei nova não resistiu e quebrou. Foto acima, ela virou um prato coitada. Outra história que talvez um dia eu conte. Sem polia a gente não consegue andar com o carro, visto que ela movimenta alternador e também o “ventilador” que joga ar para dentro do motor.
Além disso ainda temos que ver a questão do escapamento, as bengalas frontais tem a abertura para aquelas peças que esquentam a admissão. As traseiras precisam de abraçadeiras com gaxetas dentro. Nunca nem tinha visto algo assim. E pra finalizar preciso desenterrar o que sobrou das bengalas que cortei. Continuam no resto do escape.
O bom, é que conseguimos fazer ele funcionar. Validamos essa parte mesmo sem andar. Sensacional. Foi um alívio ver girando e fazendo um barulho imenso, já que está sem a surdina. Foi da terceira virada de chave que pegou. Na segunda faltou gasolina. O ponto do Márcio, raiz pura estava muito certo, aceleramos os buras um pouco, provável que o acerto antigo não sirva mais por conta da mistura maior que pode entrar. Se estabilizou, deixamos um pouco ligado e desligamos pois não temos arrefecimento.
Agora é continuar, tem muita coisa pra fazer ainda, e a principal é aguardar a Polia que mandamos fazer, no entanto o pior já foi. Abaixo o vídeo da primeira partida.
