Não aceite elogios fáceis

(eu tô pedindo a tua mão e um pouquinho do braço)

Dia desses sai com o Renato, em uma sinaleira um cara vendendo balas de goma disse “o rapaz do gol mais bonito que vi hoje vai comprar uma”. Por um momento achei que fosse pra mim, mas era pro carro. Eu também sou vendedor, sei quando um elogio é apenas para fechar um negócio. “hoje não meu amigo, bons negócios” respondi.

Depois no posto de gasolina, já na bomba, a frentista disse “tá bonito esse golzinho heim?”. “São as rodas”, retruquei. Realmente, quando você gasta com “sapatos” você parece melhor. Sua calça até pode estar rasgada, mas o tênis precisa estar limpo. Assim como a cueca, caso você vá parar no hospital por uma desventura qualquer.

Não aceite elogios fáceis, mentiras sinceras não me interessam.

Agindo assim corro o grande risco de negar qualquer elogio, mesmo que sincero, porque não consigo em duas ou três frases realmente analisar qual a intenção do interlocutor. Igual quando perguntam “Será que vai chover?”. Existe uma preocupação real na chuva? Será que pensam que tenho uma capa para emprestar? Seria uma pesquisa?

Pra mim um elogio sincero sempre vem junto com uma crítica construtiva. “Teu carro tá show. Falta só dar um talento nos pneus. Tu já viu aquele limpador de pneus que deixa com aspecto de novo?” correndo grandes riscos de ser interpretado como o chato que critica e ainda pensa que sabe tudo.

Na dúvida não diga nada e fale “calor hoje né?”.